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Cinema e aprendizado - Parte I

É claro que assistir filmes não substitui os livros e as aulas, mas é certo que isso vai te auxiliar muito a aprender sobre alguns assuntos, principalmente com os que necessitam de associações com a realidade para serem melhor aprendidos. Por isso, separamos cinco produções, entre filmes e séries, que podem ajudar você a ampliar seus meios para aprender. Confira a seguir!

Ellen Ripley, Homem-aranha, Woody, Capitão América, Freddy Krueger (urg!) Batman, Wolverine, Luck Skywalker, Harry, Rony e Hermione (ler esses nomes juntos deu um aperto no coração, pode falar!), Jason Bourne, Ethan Hunt… Com certeza você já deve ser fã de algumas sequências de filmes de sucesso como as do X-men, do Star Wars, dos heróis da D.C, entre várias e várias outras. A lista é enorme, a gente poderia falar de um monte delas.

Mas, vamos ao que importa: como o cinema pode ajudar você a aprender. Até porque, quem não ama ficar horas e horas na frente da TV sendo levado por histórias que falam sobre as nossas próprias vidas? “Qualquer filme retrata o pensamento e a criação humana em um determinado modelo social e momento histórico, e portanto, educa a quem o assiste, gerando uma reflexão e uma impressão sobre o mundo.” Defende Gabriela Eyng Possoli, em artigo publicado no Infoescola.com. Gabriela é doutora em Educação pela UFPR, Mestre em Tecnologia pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (sim, a gente foi stalkear o Lattes dela) e hoje atua em novas tecnologias de informação e comunicação aplicadas à educação.

Hoje iniciamos aqui no blog o “Cinema e aprendizado”, boletim (calma, aqui você é quem dá as notas!) com indicações de filmes e séries que podem te ajudar a aprender os conteúdos de sala e também a ampliar o seu olhar sobre o mundo. O quadro será postado de tempo em tempo, então, é só ficar de olho!

Nada como um filme após o outro

Além do entretenimento, os filmes expõem realidades opostas às nossas, explorando perspectivas diferentes das que já estamos acostumados. E outra, já pensou que chato poder observar os hábitos de uma só cultura? Ou como seria monótono não assistir danças, ouvir ritmos diferentes e em outras línguas, além do português? E se a gente nunca pudesse ver o Cristo Redentor, a Torre Eiffel, ainda que pela telinha? Além da “viagem” que proporcionam, as obras do cinema têm muito a ensinar, e para aproveitar melhor ainda esse momento de aprendizado, é legal discutir com os amigos, e até com algum professor, sobre as leituras que fez e o que você aprendeu com a história de cada uma delas. Se liga: debater visões diferentes estimulam muito a nossa capacidade argumentativa. “A dimensão educativa, entendida no sentido formação (valores, visão de mundo, conhecimento, ampliação de repertório) permeia toda a experiência do cinema e está, ainda que de modo implícito, presente nos debates sobre os filmes”. Disse o autor e professor de cinema na Universidade de São Paulo (USP), Ismail Xavier, em entrevista para a Revista Educação e Realidade, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Por isso, quanto mais saudável e democrática for a exposição das ideias, mais você pode aprender sobre uma temática com a galera!

Estilo, entretenimento, morais, filosofias, crenças, costumes, valores sociais. Tudo isso e muito mais estão compactados em uma produção cinematográfica, que é também uma obra de arte. Ou seja, é o olhar cheio de sentimentos de alguém a respeito do mundo que nos cerca. Quando isso é compartilhado com outras pessoas, toca suas emoções e intimidade, e então surge uma experiência, um reconhecimento, essa experiência tem um valor muito alto. Talvez, por isso a indústria do cinema seja uma das que crescem sem parar na linha do tempo, de 2011 a 2015 e, segundo dados da The Statistics Portal, tenha arrematado a quantia eletrizante de US$38,3 bilhões ao redor do globo (de ouro?), em 2016. Segundo a mesma pesquisa, a projeção é que o faturamento chegue perto dos US$50 bi em 2020.

Papo reto: temos três motivos para você se jogar aprendendo por meio do cinema: 1) desenvolver sua agilidade no processamento de informações. Principalmente em filmes legendados, ler, observar a imagem, ficar atento aos sons, e interpretar os contextos, ao mesmo tempo, desenvolve a capacidade de compreensão de ideais e de frases gerais, além de, é claro, ajudar no aprendizado com outros idiomas. Tudo isso? Tudo isso! 2) Ampliar seu conhecimento sobre outras culturas, de outros lugares do mundo. Isso ajuda você a lidar com as diferenças de forma pacífica e a entender melhor como funcionam outras sociedade, o que é muito importante, não só para entender os conteúdo dentro de sala, mas principalmente para entender as estruturas sociais em que estamos inseridos hoje. 3) Ampliar o seu vocabulário. Isso vale para os filmes estrangeiros e para os brasileiros. Se nos primeiros você tem acesso a outra língua e suas aplicações, nos outros você entra em contato com diversas variações do português brasileiro, com suas características regionais, ou seja, as variedades linguísticas.

É claro que assistir filmes não substitui os livros e as aulas, mas é certo que isso vai te auxiliar muito a aprender sobre alguns assuntos, principalmente com os que necessitam de associações com a realidade para serem melhor aprendidos. Por isso, separamos cinco produções, entre filmes e séries, que podem ajudar você a ampliar seus meios para aprender. Confira a seguir!

1.  Sociedade dos poetas mortos (EUA, 1989)

É óbvio que alguém, alguma vez na vida, já deve ter falado sobre “Sociedade dos poetas mortos” para você, afinal, ele é de 1989. Então, é bem possível que você possa estar se perguntando “O que esse filme ainda tá fazendo aqui na seleção?” Justamente porque a gente aposta muito nele. Até porque tem Robin Williams protagonizando como o Sr. Keating, um professor, logo a chance de ser maravilhoso é muito alta.

Voltemos: a gente insiste porque a história, além de muito bem contada, instiga todo tipo de aprendiz a sair da caixa e a refletir sobre o que é de fato estudar, aprender e, como diz o prof. Keating, “ousem avançar e encontrar novos pontos de vistas.” O que chama atenção é como as características individuais de cada aluno da trama são valorizadas pelo professor, o que reafirma a ideia de que, muitas vezes, métodos prontos de ensino não suprem nossas necessidades mais peculiares como seres originais que, por natureza, somos. Um clássico que vale a pena! Afinal, não é a toa que deu o Oscar de melhor roteiro original a Tom Schulman e foi indicado em mais três categorias: melhor ator, melhor diretor e melhor filme.

2. Getúlio (Brasil, 2014)

O filme, acreditamos que lançado até tardiamente devido à relevância da Era Vargas para nossa história, propõe uma análise crítica da cena política, social e econômica deste período em nosso país.

“A obra destaca os ataques sofridos por Vargas por meio da imprensa, as hostilidades entre eles e Carlos Lacerda (líder da UDN - União Democrática Nacional), o apoio dos trabalhadores ao 'pai dos pobres', entre outras características. Tudo isso tendo como pano de fundo a crise desencadeada pelo atentado da rua Tonelero, que acaba com o suicídio do próprio presidente.” Disse o professor de História, Francisco Moreira Junior, ao UOL educação.Não é preciso muito esforço para se lembrar de inúmeras questões e dissertações que pedem conhecimento sobre a  época do governo Vargas, um dos mais relevantes e contraditórios do país. Apesar de autoritária em boa parte, Vargas “tinha o projeto de um Estado totalitário, mas modernizador, que pretendia diversificar a economia”, segundo a avaliação do historiador Jorge Ferreira, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), em entrevista para O Globo. Não estamos falando a favor de autoritarismo, mas, sim sobre a observação de uma representação do passado, visando enxergar melhor os dias de hoje do Brasil. Ah, o filme também faz a gente pensar, e é sempre bom lembrar, sobre as implicações que uma ditadura pode trazer a um país. Partiu?!

3.  "Entre os Muros da Escola" (França, 2008)

Diversidade cultural, meritocracia, conflitos ideológicos e imigração. Todos esses assuntos delicados, e muito contemporâneos, são tratados em “Entre les murs”, título original do obra do diretor francês Laurent Cantet, vencedor, com essa produção, da Palma de Ouro no Festival de Cannes. A história fala sobre as difíceis relações entre alunos de uma escola periférica de Paris e seu professor, François, que se depara com processos desafiadores para a aprendizagem neste contexto. Ainda em dúvida se deve assistir? O retrato mostrado pela produção mostra o quanto as diferenças podem ser incompreendidas e como isso afeta a vida de milhares de pessoas. Situação cada vez mais “normal”, por conta dos refugiados que procuram sobreviver diante do quadro em que se encontram atualmente. É, inclusive, a maior crise humanitária desde a 2ª. Guerra, segundo apelo divulgado pela ONU em dezembro de 2016. “Em nenhum momento no passado recente tantas pessoas precisaram de nossa ajuda e solidariedade para sobreviver. A escala da crise hoje é maior do que em qualquer outro momento desde a criação da ONU. Declarou Stephen O’Brien, subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários.”

4. Black Mirror

É claro que ja-ma-is a gente ia deixar de fora as séries de TV, ou melhor, seguindo as tendências atuais: do streaming, que, para mim, tem tanta influência quanto a televisão, em outro momento.

Enfim, o que importa é que “Black Mirror” é, sem dúvidas, uma das séries mais faladas na atualidade e também que mais chocam o telespectador quando assistida. Isso porque a dramaturgia gira em torno dos avanços tecnológicos, que perturbam a sociedade em um futuro não muito distante do nosso, em um tempo marcado por bastante opressão. Deu medo? Calma! A antologia, ou seja, histórias soltas, sem compromisso uma com a outra, tornam-se um ótima crítica à realidade que já vivemos hoje, afinal, a gente imagina o futuro pensando no presente. Assistindo à série, além de estudar o gênero de ficção científica distópica, você poderá refletir sobre os avanços tecnológicos  que vivemos na sociedade desde a Terceira Revolução Industrial, que tem como uma de suas características as profundas inovações que alinham o conhecimento científico e a produção industrial. Será que o futuro já está aí e a gente não percebeu? Atenção: a série possui cenas de sexo, violência e nudez, consulte a classificação indicativa, fechou?

5. The Man in the High Castle

Já imaginou um mundo onde a Alemanha, Itália e Japão (Eixo) tivessem ganhado a Segunda Guerra Mundial, derrotando os Aliados e deixando os EUA conquistados pelo Reich e Império do rei Hirohito? Que loucura, né? É essa possibilidade que explora a dramaturgia de “The Man in the High Castle”, série do canal de streaming da Amazon, com livre inspiração na obra de Philip K. Dick. A narrativa é ambientada em 1962 e mostra o mundo sob forte influência política da Alemanha e do Japão, algo muito parecido com o que aconteceu de fato entre EUA e URSS na Guerra Fria. Na trama, alguns rolos de filme aparecem descrevendo outras realidades, e o mistério gira em torno disso: agentes do governo e da resistência querem saber qual o origem e o como essas outras realidades podem ser exploradas. A “Interpretação dos Muitos Mundos”, da mecânica quântica, feita pelo físico Hugh Evertt em 1957, é uma teoria sobre como os múltiplos mundos nascem a cada nova escolha, e como isso gera a chamada “decoerência mecânica”, um aparente desordenamento dos fatos. Essa teoria é a base para a série, que incita reflexões sobre como os governos extremistas modificam o mundo, como o fascismo pode ser um deslumbre para certas sociedades, como o poder abusa das massas limitadas pelo controle e também como a sociedade controlada pode entrar em colapso a qualquer momento.  

 

E aí, curtiu as nossa dicas? Agora é só se programar para garantir o aprendizado por essas histórias imperdíveis. Ah, depois conta para gente nos comentários o que achou, ok? Até a próxima!

Fonte:

Redator, social mídia, pesquisador e entusiasta das artes pelo Cena Livre de Teatro, grupo atuante na UFMT. Aluno do terceiro ano de Letras-Literatura na instituição federal, e fotógrafo nas horas vagas.


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