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Desenvolva o seu poder de argumentação

Uma hora ou outra você vai ter que fazer isso: argumentar! E mais, se nunca fez, vai ter a oportunidade durante ENEM e outros vestibulares, escrevendo a redação. Então, que tal entender um pouco de argumentação para arrasar e conquistar a sonhada vaga?!

Você já sabe, isso faz mais ou menos uma eternidade, que argumentar é a capacitação de relacionar acontecimentos, pesquisas, ideologias, propor teses, problemáticas e suas possíveis resoluções. Neste sentido, então, você também sabe que um texto considerado argumentativo tem o objetivo de persuadir, condicionar o seu leitor a estar de acordo com alguma ideia, convencê-lo de algo. Mas, o que faz um texto argumentativo ser considerado efetivo? A sua argumentação clara, convincente e objetiva, tão bem construída que não deixará “pontos sem nó”: a única alternativa do destinatário será aceitar o que foi exposto, pegar sua cadeirinha e sair de mansinho. E, além disso, o argumento “oferece razões e dados para que as outras pessoas possam formar a sua própria opinião.” Anthony Weston (Lisboa: Gradiva, 1996). Como isso pode ser feito? Você vai conferir neste artigo. Vamos lá?!

Tese argumentativa: o que você quer provar?

O primeiro passo para argumentar, ou seja, constituir um argumento, é delimitar sobre o que se quer falar e qual o objetivo disso. O que você quer provar? A resposta a essa questão será a sua tese. Que nada mais é o porquê da sua opinião acerca do tema, fato ou valor escolhido em sua defesa. A partir disso, você vai construir suas hipóteses e tentar provar com N argumentos, que, ao todo, formularão um argumento maior: a tese argumentativa.

Por exemplo, posso afirmar: “O Brasil não vai para frente porque somos corruptos por natureza.” Até então, é somente uma frase. Mas, se complemento com “(...) devido à história de nossa colonização, como a nobreza criada pela coroa portuguesa, que vendeu em oito anos mais títulos que em Portugal em sete séculos” já muda a história. Agora, trata-se de um enunciado que diz algo, que tenta e pode convencer a alguém, isso graças ao argumento estatístico utilizado.

O argumento

Vamos definir argumento como uma passagem de uma ou mais premissas a uma conclusão. Por exemplo:

(1) Todo homem é mortal.
(2) Lucas é homem.
(3) Assim sendo, Lucas é mortal.

No conjunto acima, temos duas premissas (ideia de que se parte para organizar um raciocínio), em (1) e (2), que corroboram para a afirmação de uma conclusão (3). Ou seja, as premissas de um argumento que vão auxiliar à conclusão dele, fortalecendo assim a tese defendida. É fácil deduzir e afirmar, então: para a validade do argumento ser real, não é somente a conclusão que deve corresponder à realidade, mas que suas premissas estejam associadas adequadamente. Do contrário, não adiantaria eu dizer (3) sem que provasse isso de forma aceitável, portanto, a consciência do argumento é essencial para a diferenciação entre o que é válido ou inválido, verdadeiro e falso: isso formula a lógica “da coisa”.

Para que o argumento seja válido, então, não basta que a conclusão seja verdadeira. É preciso que as premissas e a conclusão estejam relacionadas corretamente.

Agora que já relembramos o que é o argumento e sua relação lógica, vamos esclarecer alguns dos tipos e formatos mais usuais com que essas premissas podem se apresentar nos textos:

Argumento de autoridade (ou citação)

Com certeza você já se deparou com esse sujeito por aí, o argumento de autoridade é amplamente usado em textos jornalísticos. Acontece quando pessoas consagradas nos meio científicos, artístico, profissionais reconhecidos, líderes políticos ou pensadores, dão seu depoimento para fortalecer a tese defendida pelo veículo midiático. Ou seja, a noção é sustentada por meio da citação de uma fonte confiável, sendo ela um(a) especialista em determinado segmento ou mesmos os dados de alguma instituição confiável de pesquisa, como uma faculdade, por exemplo. Dessa maneira, se expressa mais credibilidade na tese.

Veja, as citações, neste caso, devem vir entre aspas, assim como o exemplo a seguir:

“1. De início é bom lembrar que persuadir não é sinônimo imediato de coerção ou mentira. Pode ser apenas a representação do desejo de se prescrever a adoção de alguns comportamentos, cujos resultados finais apresentem saldos socialmente positivos. Por exemplo, uma campanha de vacinação infantil. Nesse caso, conquanto exista através da propaganda institucional uma preocupação persuasiva, os objetivos terminais encaminham para a formação de atitudes que
poderão resultar uma melhoria das condições de saúde das crianças. Claro que esse é um caso extremo e não muito representativo dos fins a que deseja atingir a grande maioria dos discursos persuasivos. Há autores que costumam,
inclusive, falar em persuasão negativa e positiva. O assunto nos levaria, contudo, a reflexões que já não estão mais no espírito deste livro. Fica, porém, olembrete.” (Adilson Citelli, 2002, p.69)

Argumento Causa e Consequência

Neste tipo, o embasamento da argumentação terá como ponto de partida uma informação (causa), sejam dados, estatísticas, ou porcentagens, que a serão acompanhadas por suas consequências. É um tipo de argumentação em que são comparadas algumas informações, estabelecendo conexões entre elas. Posso conectar política com a Educação do Brasil, vejamos:

(4) Um dos motivos de nossa educação estar no patamar em que se encontra é a falta de formação continuada dos docentes no Brasil. Isso se dá principalmente porque os políticos que assumem os cargos não tem conhecimento sobre a Educação e dão prioridade mínima para a construção de conhecimento dos professores, não liberando verbas extras para este fim.

Este recurso é muito eficaz para defender problemas que exigem solução, como a própria Educação do Brasil, do exemplo acima. Geralmente, esses temas problemáticos (que pedem uma resolução) costumam aparecer em temas de redação nos principais vestibulares, como no ENEM.

É importante frisar que diferentes consequências podem derivar de uma única causa, que podemos colocar como “maior”. Ainda usando a exemplificação: sabemos que os motivos da educação precária no país são diversos, mas, neste caso, resolvi focar na questão política das verbas que não são liberadas para a formação do professores. 

Argumento de Exemplificação ou Ilustração

Nada mais é que um argumento com base em um exemplo. Veja, no início deste tópico, eu mesmo o usei nos exemplos (1), (2), (3) e (4). Geralmente, quando o assunto é muito técnico, teórico, como esse texto que escrevo agora, usa-se os exemplos para que o entendimento fique mais claro. Aqui, dou um exemplo baseado em um exemplo que eu mesmo dei, isso se chama metalinguagem, mas é assunto para outro texto. O mais legal do argumento de exemplo é que quando usado, mostra o conhecimento e o domínio que o enunciador tem sobre determinado assunto, além de expressar originalidade.

Argumento de Provas Concretas ou Princípio

“Contra fatos não há argumentos”, esse clichê exprime muito bem o conceito da argumentação via provas. Podem ser estatísticas, dados históricos ou mesmo acontecimentos da experiência cotidiana comum a todos. Se eu digo “Você deveria incluir opções vegetarianas em seu cardápio”, dificilmente vou convencer o dono do bar ou restaurante, mas, se ao contrário for dito:

(5) Segundo pesquisa publicada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE), 15 milhões de brasileiros, hoje, se dizem vegetarianos. Isso significa que cerca de 8% das pessoas que frequentam seu bar ou restaurante são vegetarianos. (www.facebook.com.br/SHBRMT)
Muito possivelmente o receptor passará a pensar na ideia, já que foi estabelecida uma realidade a ele, a de que houve uma pesquisa específica, de um instituto conhecido e que tem credibilidade, que coletou dados verdadeiros sobre a existência de um grupo de pessoas com hábitos vegetarianos.

Argumento por analogia

Esse tipo é feito quando se pretende resolver e tratar situações de maneira igual, com a mesma resolução. Nesta argumentação, se defende que a semelhança entre duas coisas: se são parecidas em alguns aspectos, também o são em outros. Embasando-se nisso, deduz-se que entre essas coisas deva existir alguma outra equivalência.  Isso acontece muito em situações de jurisprudência. Por exemplo, um sujeito indignado, dono de uma loja no shopping pode dizer “Se eu sou dono desse comércio, e sou obrigado a pagar impostos para vender minhas roupas, porque um vendedor ambulante não deveria pagar também?” Outro exemplo: “O menino tem diarreia, dores, náuseas e febre. Sempre quem sente esse conjunto de sintomas geralmente está com dengue. Logo, o menino tem dengue”

É importante lembrar que nem sempre o conjunto de certas afirmações

levam a gente para um local da verdade. conforme o próprio exemplo acima, o correto seria afirmar que o menino deveria ir ao médico e não que está com dengue, afinal, esses mesmos sintomas podem aparecer em quem está com outra doença, como cólera, e somente um exame médico poderá dizer se a analogia é verdadeira ou não.

Cinco dicas rápidas:

 Enxergue o mundo de forma crítica

Dia a dia chega até nós milhões de dados e notícias. Mas, o que fazer com eles? O mais recomendável é que você use tudo isso, matérias, literatura, a conversa com a avó, a conversa na sala de aula, (etc) e crie o seu próprio pensamento. Cruze as informações a seu favor, a partir do que você enxerga no mundo, você deve analisar, refletir e, após isso, construir sua linha de raciocínio. Tendo esclarecido os seus pensamentos, será mais fácil organizar a sua defesa argumentativa. Para isso, é essencial que você tenha repertório e esteja antenado aos fatos e notícias.

Seja coerente

É essencial que todas as informações do seu texto estejam conversando entre si. Ou seja, que tenham coerência. De nada vale um monte de dados sem que esses estejam se contradizendo dentro do próprio texto ou mesmo soltos, jogados de forma aleatória.

Seja verdadeiro

Lembre-se: todo texto tem um grau de veracidade, que está diretamente ligado à forma como ele se relaciona com a verdade. As suas afirmações só poderão ser aceitas se puder, de algum forma, prová-las. Há um erro muito recorrente em redações: a generalização. Essa é fruto do pensamento comum, genérico, infundado e pode, facilmente, ser contestada. Isso inclui também os juízos de valores pessoais, que devem ser deixados de lado. Usando um exemplo bem tosco: “lugar de mulher é na cozinha”. Sabemos que, até certo tempo atrás, isso poderia fazer sentido para alguns, principalmente aos homens machistas, já hoje, é uma declaração absurda, já que sabemos que lugar de mulher é onde ela quiser.

Quantidade não é qualidade

Às vezes, acontece de encontrarmos textos que se tornam cansativos em sua argumentação. Isso porque o redator não soube delimitar suas escolhas e, assim, perdeu a objetividade. Portanto, é importantíssimo você definir a finalidade, assim, você terá um texto melhor estruturado e mais conciso. Não importa o quanto de argumentos você vai expor, mas sim que sejam bem desenvolvidos, defendidos e provados.  

Atenção com as terminologias

Se você não entende de um termo em específico, fica a dica: não use. Isso costuma acontecer e muito, em diversas ocasiões se usa terminologias que podem amplas significações, que vão mudar de acordo com o contexto de sua aplicação. Logo, o uso inadequado pode deixar o leitor em dúvida ou desorientado. Melhor evitar. Veja, eu tenho um conceito de amor, de justiça, de moral, diferente do seu, que é diferente do cara da banca de examinadores, que é diferente do da sua tia, e assim por diante. Por isso, é melhor evitar definições subjetivas, neste sentido, e, se for usar, ser bem específico. Por exemplo, não há como se posicionar “de direita” ou “de esquerda” sem, ao menos, dominar bem esses conceitos. E, por falar neles, toma a liberdade de citar o grande poeta e cantor brasileiro, Tom zé: “a diferença entre esquerda e direita. Já foi muito clara, hoje não é mais.”. Logo, é meio difícil se posicionar de um lado ou outro, neste quesito: política. Não vamos nos aprofundar neste papo, mas, peça a seu professor de História ou Geografia para lhe explicar melhor sobre os posicionamentos políticos de hoje, já que essa binariedade não reflete mais a complexidade de nossa política atual.

 

E aí, curtiu nosso texto? Fique ligado aqui no blog do Estuda! Toda semana tem um artigo novo para ajudar você a estudar e a enxergar melhor a sociedade onde vivemos, assim, você pode se preparar muito melhor para o ENEM. Até a próxima!

 

Fonte:

Redator, social mídia, pesquisador e entusiasta das artes pelo Cena Livre de Teatro, grupo atuante na UFMT. Aluno do terceiro ano de Letras-Literatura na instituição federal, e fotógrafo nas horas vagas.


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