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Acesse GrátisQuestões de Literatura - Literatura portuguesa
Questão 45 7215802
IFPE Superior 2020/1TEXTO
[...] O índio romântico, mesmo o de Alencar, é o “bom selvagem” de Rousseau, cantado pelos poetas franceses a partir da segunda metade do século XVI [...]. Como vimos, os escritores românticos, no afã de renegar qualquer contribuição que pudesse, mesmo longinquamente, recordar o papel de subalternidade em relação a Portugal, substituíram os modelos literários portugueses pelos franceses. Por mais paradoxal que isso possa ser, e não obstante o fato de terem o índio praticamente na porta de casa, os românticos importam o índio afrancesado, já sublimado de tudo aquilo que poderia escandalizar a sensibilidade católica e tradicional do segundo Império.
OLIVEIRA, Vera Lúcia. Poesia, mito e história no Modernismo brasileiro. São Paulo: UNESP, Blumenau, FURB, 2001 (adaptado).
Sobre os indígenas e a literatura romântica do Império, assinale a alternativa CORRETA
Questão 43 7434413
UDESC Manhã Verão 2019Texto
22 de maio Eu hoje estou triste. Estou nervosa. Não sei se choro ou saio
correndo sem parar até cair inconciente. É que hoje amanheceu chovendo. E eu não
saí para arranjar dinheiro. Passei o dia escrevendo. Sobrou macarrão, eu vou
esquentar para os meninos. Cosinhei as batatas, eles comeram. Tem uns metais e um
[5]. pouco de ferro que eu vou vender no Seu Manuel. Quando o João chegou da escola eu
mandei ele vender os ferros. Recebeu 13 cruzeiros. Comprou um copo de agua
mineral, 2 cruzeiros. Zanguei com ele. Onde já se viu favelado com estas finezas?
...Os meninos come muito pão. Eles gostam de pão mole. Mas quando não tem
eles comem pão duro.
[10] Duro é o pão que nós comemos. Dura é a cama que dormimos. Dura é a vida do
favelado.
Oh! São Paulo rainha que ostenta vaidosa a tua coroa de ouro que são os
arranha-céus. Que veste viludo e seda e calça meias de algodão que é a favela.
...O dinheiro não deu para comprar carne, eu fiz macarrão com cenoura. Não
[15] tinha gordura, ficou horrivel. A Vera é a única que reclama e pede mais. E pede:
- Mamãe, vende eu para a Dona Julita, porque lá tem comida gostosa.
Eu sei que existe brasileiros aqui dentro de São Paulo que sofre mais do que eu.
Em junho de 1957 eu fiquei doente e percorri as sedes do Serviço Social. Devido eu
carregar muito ferro fiquei com dor nos rins. Para não ver os meus filhos passar fome
20. fui pedir auxilio ao propalado Serviço Social. Foi lá que eu vi as lagrimas deslisar dos
olhos dos pobres. Como é pungente ver os dramas que ali se desenrola. A ironia com
que são tratados os pobres. A unica coisa que eles querem saber são os nomes e os
endereços dos pobres.
Jesus, Carolina Maria de. Quarto de Despejo: diário de uma favelada. 102.ed. São Paulo: Ática. pp.41 e 42.
Analise as proposições em relação à obra Quarto de Despejo: diário de uma favelada, Carolina Maria de Jesus, e ao Texto.
I. Da leitura da obra, percebe-se que a escritora emprega uma linguagem que ora se aproxima da oralidade, a exemplo “viludo” (linha 13), por não ter concluído o ensino básico; ora faz uso de palavras mais cultas como “ostenta” (linha 12) e “propalado” (linha
20), evidenciando o conhecimento de suas leituras.
II. Da leitura da obra, infere-se que Carolina não gostava de dias chuvosos, uma vez que
nestes dias não conseguia catar papelão, outros materiais e, consequentemente, eram dias em que não obtinha dinheiro para o sustento dela e da família.
Il. No período “ - Mamãe, vende eu para a Dona Julita” (linha 16) a palavra destacada é, na morfossintaxe, substantivo e sujeito.
IV. A obra pertence ao gênero “diário”, está em 1º pessoa, e registra, entre 1955 e primeiro de janeiro de 1960, a vida de Carolina, dos filhos dela e de outras pessoas que viviam na favela do Canindé (SP).
V. No período “Tem uns metais e um pouco de ferro que eu vou vender no Seu Manuel” (linhas 4 e 5) destacou-se o personagem que juntamente com Raimundo, um belo cigano, e também Orlando, um corajoso nortista, disputavam o amor de Carolina e com ela desejavam casar.
Assinale a alternativa correta.
Questão 6 3373785
UFMS PASSE - 2ª Etapa 2018-2020Leia a letra da canção “Sofrimento: Angra dos Reis”, da Legião Urbana, para responder à questão.
Sofrimento: Angra dos Reis
“Deixa, se fosse sempre assim
Quente, deita aqui perto de mim
Tem dias que tudo está em paz
E agora os dias são iguais
Se fosse só sentir saudade
Mas tem sempre algo mais
Seja como for
É uma dor que dói no peito
Pode rir agora
Que estou sozinho
Mas não venha me roubar
Vamos brincar perto da usina
Deixa pra lá
A Angra dos Reis
Por que se explicar
Se não existe perigo?
Senti teu coração perfeito
Batendo à toa e isso dói
Seja como for
É uma dor que dói no peito
Pode rir agora
Que estou sozinho
Mas não venha me roubar
Vai ver que não é nada disso
Vai ver que já não sei quem sou
Vai ver que nunca fui o mesmo
A culpa é toda sua e nunca foi
Mesmo se as estrelas
Começassem a cair
E a luz queimasse tudo ao redor
E fosse o fim chegando cedo
Você visse o nosso corpo
Em chamas!
Deixa pra lá
Quando as estrelas
Começarem a cair
Me diz, me diz
Pr’onde é
Que a gente vai fugir?.”
(RUSSO, Renato; ROCHA, Renato; BONFÁ, Marcelo. “Sofrimento: Angra dos Reis”. Lançamento: 1987. Álbum: Que país é este, da banda Legião Urbana).
A canção acima faz referência a uma geração do Romantismo no Brasil.
Assinale a alternativa que apresenta essa geração com sua respectiva característica e autor.
Questão 12 159988
PUC-PR Verão - Demais Cursos 2018A respeito de O pagador de promessas, peça de Dias Gomes, considere as seguintes afirmações.
I. O pagador de promessas é a primeira peça brasileira a explorar a fundo uma temática regionalista, como os hábitos e costumes da cidade de Salvador.
II. A peça O pagador de promessas se afasta do modelo clássico da dramaturgia porque não segue a lei das três unidades: a unidade de tempo, espaço e ação.
III. Nessa peça, os personagens se dividem praticamente em positivos e negativos: Zé-do-Burro, os capoeiristas e a gente simples da Bahia de um lado; o padre, o monsenhor, o repórter, o delegado e o Bonitão do outro.
IV. A dificuldade de Zé-do-Burro em compreender a rejeição do Padre Olavo ao sincretismo entre Iansã e Santa Bárbara é uma das molas da ação dramática da peça.
V. Com exceção do protagonista e, em menor medida, de sua mulher, os demais personagens não vão muito além de “tipos”, não chegando a se individualizar como alguns de seus próprios nomes o sugerem: o Repórter, o Fotógrafo, a Beata, o Secreta.
É CORRETO somente o que se afirma em
Questão 34 463074
ENEM 1° Dia 2018Quebranto
às vezes sou o policial que me suspeito
me peço documentos
e mesmo de posse deles
me prendo e me dou porrada
às vezes sou o porteiro
não me deixando entrar em mim mesmo
a não ser
pela porta de serviço
[ ... ]
às vezes faço questão de não me ver
e entupido com a visão deles
sinto-me a miséria concebida como um eterno
começo
fecho-me o cerco
sendo o gesto que me nego
a pinga que me bebo e me embebedo
o dedo que me aponto
e denuncio
o ponto em que me entrego.
às vezes!...
CUTI. Negroesia. Belo Horizonte: Mazza. 2007 (fragmento).
Na literatura de temática negra produzida no Brasil, é recorrente a presença de elementos que traduzem experiências históricas de preconceito e violência. No poema, essa vivência revela que o eu lírico
Questão 28 598322
FDSM 2016Leia o seguinte poema da poetisa mineira Adélia Prado (1935-):
Agora, ó José
É teu destino, ó José,
a esta hora da tarde,
se encostar na parede,
as mãos para trás.
Teu paletó abotoado
de outro frio te guarda,
enfeita com três botões
tua paciência dura.
A mulher que tens, tão histérica,
tão histórica, desanima.
Mas, ó José, o que fazes?
Passeias no quarteirão
o teu passeio maneiro
e olhas assim e pensas,
o modo de olhar tão pálido.
Por improvável não conta
O que tu sentes, José?
O que te salva da vida
é a vida mesma, ó José,
e o que sobre ela está escrito
a rogo de tua fé:
“No meio do caminho tinha uma pedra”,
“Tu és pedra e sobre esta pedra”,
a pedra, ó José, a pedra.
Resiste, ó José. Deita, José,
Dorme com tua mulher,
gira a aldraba de ferro pesadíssima.
O reino do céu é semelhante a um homem
como você, José.
PRADO, Adélia. Bagagem. 34. ed.Rio de Janeiro: Record, 2014. p. 33-34.
O poema de Adélia Prado, além de conter referências à Bíblia, estabelece um diálogo com dois famosos poemas de